
Após 6 anos de namoro e já morando juntos, ele descobre que ela teve um amante, durante alguns meses. Eles brigam, ele a perdoa, mas continua indiferente frente a companheira.
- Não entendo, você não confia mais em mim?
- Não.
- Mas eu pedi perdão pelo o que fiz e tentei me redimir. Além do mais, você me perdoou!
Ele pega um copo, joga no chão e o copo se quebra em demasiados pedaços. Ele dirige-se a ela e pergunta:
- Se eu pedisse para que você reconstruisse esse copo, como prova de amor, você faria?
- Sim, faria.
- Então reconstrua e amanhã conversamos.
Ela então passou a noite colando cada pedaço de vidro, para que se transformasse novamente no copo. Na manhã seguinte, ele enche todo o copo com água e coloca em cima da mesa, de frente para os dois, e então, volta à companheira:
- Vê como apesar de colado todos os pedaços o copo continua a vazar água?
- Sim, vejo.
- Meu coração está exatamente assim. Apesar de ter lhe perdoado, tentar reconstruir cada pedaço do sentimento que tenho por você, ainda tenho mágoas. E suas mãos, percebe como ficaram feridas enquanto você tentava juntar os cacos do copo?
- Sim, estão feridas e doloridas…
- É o arrependimento. Mas as suas mãos irão cicatrizar… e o copo, será que voltará a não vazar água? Carolina Bensin
Filha da Lua
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Plena mulher, maçã carnal, lua quente, espesso aroma de algas, lodo e luz pisados, que obscura claridade se abre entre tuas colunas? que antiga noite o homem toca com seus sentidos? Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, com ar opresso e bruscas tempestades de farinha: amar é um combate de relâmpagos e dois corpos por um só mel derrotados. Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito, tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos, e o fogo genital transformado em delícia corre pelos tênues caminhos do sangue até precipitar-se como um cravo noturno, até ser e não ser senão na sombra de um raio.
Pablo Neruda
Filha da Lua
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É assim que te quero amor, assim, amor, é que eu gosto de ti, tal como te vestes e como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri, ágil como a água da fonte sobre as pedras puras, é assim que te quero, amada, Ao pão não peço que me ensine, mas antes que não me falte em cada dia que passa. Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai, apenas quero que a luz alumie, e também não peço à noite explicações, espero-a e envolve-me, e assim tu pão e luz e sombra és. Chegastes à minha vida com o que trazias, feita de luz e pão e sombra, eu te esperava, e é assim que preciso de ti, assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos. Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda
Filha da Lua
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É proibido chorar sem aprender, Levantar-se um dia sem saber o que fazer Ter medo de suas lembranças. É proibido não rir dos problemas Não lutar pelo que se quer, Abandonar tudo por medo, Não transformar sonhos em realidade. É proibido não demonstrar amor Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor. É proibido deixar os amigos Não tentar compreender o que viveram juntos Chamá-los somente quando necessita deles. É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, Fingir que elas não te importam, Ser gentil só para que se lembrem de você, Esquecer aqueles que gostam de você. É proibido não fazer as coisas por si mesmo, Não crer em Deus e fazer seu destino, Ter medo da vida e de seus compromissos, Não viver cada dia como se fosse um último suspiro. É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar, Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram, Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente. É proibido não tentar compreender as pessoas, Pensar que as vidas deles valem mais que a sua, Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte. É proibido não criar sua história, Deixar de dar graças a Deus por sua vida, Não ter um momento para quem necessita de você, Não compreender que o que a vida te dá, também te tira. É proibido não buscar a felicidade, Não viver sua vida com uma atitude positiva, Não pensar que podemos ser melhores, Não sentir que sem você este mundo não seria igual. "Pablo Neruda"
Filha da Lua
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O verbo no infinito...
Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar. E crescer, e saber, e ser, e haver E perder, e sofrer, e ter horror De ser e amar, e se sentir maldito E esquecer de tudo ao vir um novo amor E viver esse amor até morrer E ir conjugar o verbo no infinito... "Vinicius de Moraes"
Filha da Lua
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"A paixão, o encanto, é a ausência de palavras, é a vida revestida de silêncio e transbordando insinuações. O amor sobrevive no mistério, no desvelamento cotidiano que nunca chega à plenitude, porque tudo o que já está pleno, já está pronto. O amor só é amor porque é inacabado, é metade que chama, implora e pede clemência. Amar é uma interessante e bonita forma de carecer, de ser fraco, de entregar os pontos, de viver sem armas, como se por um instante, só por um instante, a luta que marca a nossa sobrevivência tivesse entrado em estado de trégua. O encanto que sobrevive no amor
só pode durar enquanto se estenderem os segredos que sacralizam a relação. E por isso é necessário retirar as sandálias dos pés, pisar com leveza, olhar com cuidado. O amor é amigo do silêncio. Sobrevive no querer dizer, na tentativa frustrada de verbalizar o que é a crença da alma, o sustento do espírito. A saudade é benéfica ao amor. Distantes, os amantes mensuram o tamanho do bem-querer. Medida que se descobre nos desconcertos da ausência, no engasgo constante da recordação, recurso que faz voltar no tempo, engana as horas, aproxima as peles, diminui as estradas, ancora os navios, pousa os aviões, faz chegar os ausentes."
Filha da Lua
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BOLO DE CHOCOLATE (Eduardo Baqueiro)
Bolo de Chocolate com muito creme Olho para seus olhos e neles vejo malícia Bolo de chocolate, entre mim e você... Tiro minha roupa e espero para ver
Com meu dedo passo sobre o creme e faço um X em seu rosto E com seu dedo sobre o creme Me faz um círculo sobre o peito
Deu-se início a nossa guerra Agora já não é o dedo É a mão que está suja de creme Que passa pelo meu corpo nu
Passo minha língua em seu pescoço Todo sujo de creme de chocolate E escuto um gemer de querer Sinto o gosto da pele com chocolate
Sinto tua língua em meu corpo De tanta tesão perco a razão Já não sei quem sou Mas agora você me pertence
Já não é mais bolo de chocolate É apenas esse tesão Que sempre senti por você Que hoje se realiza com creme de chocolate.
Filha da Lua
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